Edição de 1 de agosto de 2026
Metade do que o novo imposto arrecadar em 2027 fica com quem o administra
Na sexta-feira, no último dia do prazo legal, o Comitê Gestor do IBS publicou as duas resoluções que fixam o seu primeiro orçamento — e o número que salta é a fonte: 50% de tudo o que o IBS arrecadar em 2027 ficam com o Comitê que administra o imposto. Em valores, R$ 2,58 bilhões de uma arrecadação estimada em R$ 5,15 bilhões; o orçamento total, R$ 3,88 bilhões, equivale a três quartos do que o tributo deve recolher no ano. A desproporção tem explicação — em 2027 o IBS cobra uma alíquota de teste de 0,1%, e construir a administração de um imposto custa o mesmo em qualquer alíquota —, e a própria lei já previa que a fatia caísse a 0,2% no regime maduro. O que talvez mereça mais atenção é o rito: a proposta vale como aprovada se os Legislativos ficarem calados por 30 dias.
No resto da semana, com o Congresso ainda em recesso, o Executivo publicou o oitavo crédito extraordinário desde 1º de junho, desbloqueou R$ 5,7 bilhões do Orçamento e viu o Banco Central divulgar a dívida bruta no maior patamar em mais de cinco anos.
| 💬 Ajude a decidir o que o Atlas constrói. Estamos abrindo a plataforma para um grupo pequeno de leitores que acompanham o poder público por ofício — compliance, jurídico, jornalismo, pesquisa — e querem fazer parte do processo. Para participar, responda a este e-mail contando onde você atua. |
🧾 Metade do que o novo imposto arrecadar em 2027 fica com quem o administra
O ponto está em outro lugar. Primeiro, a operação de crédito da União: o § 6º do art. 52 da LC 227/2026 autoriza que esses recursos paguem despesa corrente, inclusive pessoal, declarando expressamente atendido o inciso III e afastado o inciso X do art. 167 da Constituição — respectivamente a regra de ouro e a vedação a que a União empreste para folha de estados e municípios. É uma exceção estreita, com prazo (2025 a 2028) e finalidade (instalação do Comitê), mas é uma exceção a dois dispositivos constitucionais, e ela está no orçamento desta semana na forma de R$ 1,2 bilhão.
Segundo, o rito. A proposta de reter metade da arrecadação de um imposto novo é submetida às casas legislativas dos entes com assento no Conselho, que têm 30 dias para reagir — e, se nenhuma reagir, está aprovada. Aprovação tácita é uma técnica legislativa comum e defensável: evita que a máquina pare por inércia. Mas ela transfere o ônus da vigilância para quem talvez não saiba que precisa vigiar. Estas duas resoluções saíram numa sexta-feira, na Seção 3 do Diário Oficial, sob o rótulo "Ineditoriais", entre atos que raramente viram notícia. O prazo termina em 30 de agosto.
E há uma terceira data. O número que realmente dirá quanto o novo sistema custa ao contribuinte — a alíquota de referência — não é este: é o cálculo que a Receita Federal encaminha ao TCU, a quem cabe homologá-lo e remetê-lo ao Senado até 30 de outubro de 2026. O anexo desta semana já antecipa que a conta subiu: de 26,5% para algo "em torno de 28%".
📌 A semana em seis linhas
🏦 O dinheiro entrou e saiu na mesma semana
🛡️ Mulher Segura: dois decretos, uma lei — e um painel que aponta quem não reporta
🎰 A aposta virou fonte de financiamento da segurança pública
O que a conta mostra é de onde sai o dinheiro novo. Os 12% das destinações já existentes — seguridade, educação, esporte, saúde, turismo, segurança — não são tocados em nenhum momento: 87+1+12, 86+2+12 e, no regime definitivo, 85+3+12. A fatia do Funapol é integralmente subtraída da fatia do operador da loteria, que cai de 88% para 85% em três anos. Nenhuma política pública perdeu percentual para financiar a Polícia Federal; quem perdeu foi a casa de apostas — e devagar: em 2026, a PF fica com 1%, um terço do que receberá a partir de 2028.
🏗️ Contratos: um túnel de R$ 5,1 bilhões e três dispensas emergenciais do DNIT
🏛️ No Congresso: o recesso acaba hoje
📈 Mercado em 30 segundos — o Santander vai buscar os 10% que faltam
🔎 Sob a lupa
🔍 Lemos tudo — até isto
💰 O termômetro
📚 Oportunidades & editais
📋 Consultas públicas abertas (sua chance de opinar)
📤 Esta edição também está publicada, aberta e sem login: atlaspublico.com.br/boletim-semanal/2026-08-01. Se algo aqui foi útil, encaminhe para quem precisa acompanhar isso de perto — é assim que este boletim cresce.
Tem uma pauta, um contrato suspeito ou uma correção? Responda a este e-mail e conte pra gente – lemos cada mensagem.
Os destaques das fontes oficiais, toda semana no seu e-mail.
Grátis. Um e-mail por semana; cancele com um clique.