Edição de 8 de agosto de 2026
O STJ ganhou o poder de escolher o que julga
Na terça-feira passada, numa edição extra do Diário Oficial e a três dias do fim do prazo constitucional, foi sancionada sem vetos a Lei nº 15.484 — o "filtro de relevância" do Superior Tribunal de Justiça, que esta newsletter acompanhava desde julho. A partir de 3 de setembro, o STJ poderá recusar, em decisão irrecorrível, qualquer recurso especial cuja questão de direito federal não seja considerada relevante. A Constituição prometia esse filtro desde a Emenda 125, de 2022; levou quatro anos para a lei que o regulamenta sair.
No resto da semana, o Copom cortou a Selic pela quarta vez seguida, para 14,00% ao ano; o governo assinou com a Caixa, por inexigibilidade, o maior contrato novo da semana — R$ 2,99 bilhões para operar todas as transferências de renda federais por três anos; e uma medida provisória publicada num sábado revogou outra que estava a 27 dias de caducar, zerando o relógio do Congresso.
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⚖️ O STJ ganhou o poder de escolher o que julga
O desenho aprovado é menos restritivo do que parecia possível: a recusa exige maioria qualificada de dois terços, as causas penais, de improbidade e acima de 500 salários mínimos têm relevância presumida por texto constitucional, e a regra só alcança acórdãos publicados depois de 3 de setembro. O efeito real vai depender de como o STJ regulamentar o rito no regimento interno — e de quanta disciplina a corte tiver para fundamentar as recusas. A decisão que nega relevância é irrecorrível por definição legal; o único controle sobre ela será a própria fundamentação.
Há também um instrumento novo de gestão de litígios que merece atenção de quem acompanha teses tributárias e regulatórias: a suspensão nacional de até 12 meses. Ela existe hoje nos repetitivos; agora passa a existir também para qualquer questão cuja relevância seja reconhecida. Um relator poderá, por decisão fundamentada, congelar por um ano todos os processos do país sobre um mesmo tema.
📌 A semana em seis linhas
📅 A semana que começa
🏛️ No Congresso: uma MP revogou outra — e o relógio voltou a zero
🏦 R$ 2,99 bilhões para a Caixa — e o Orçamento afrouxou por portaria
🧾 As emendas: uma auditoria na Polícia Federal e R$ 71,9 milhões liberados na mesma semana
🏗️ Contratos: a "emergência" de R$ 42,5 milhões da Fiocruz e o gotejamento militar
📈 Mercado em 30 segundos — a Ecopetrol garantiu o controle da Brava
🔎 Sob a lupa
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💰 O termômetro
📚 Oportunidades & editais
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