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O Senado recebeu o requerimento PCE 13/2026, apresentado em 7 de agosto de 2026 pelo senador Eduardo Girão (NOVO/CE) e pelo desembargador aposentado Sebastião Coelho da Silva, solicitando ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar a abertura de procedimento disciplinar contra o senador Ciro Nogueira (PP/PI). A denúncia, fundamentada no artigo 17 da Resolução nº 20/1993, acusa o parlamentar de usar prerrogativas do mandato para favorecer o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, em troca de vantagens indevidas.
O requerimento baseia-se em elementos apurados pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a reportagem da Gazeta do Povo, a denúncia aponta que Ciro Nogueira apresentou a Emenda nº 11 à PEC 65/2023 — proposta de autoria do senador Vanderlan Cardoso que trata da autonomia do Banco Central. A emenda, conhecida como "Emenda Master", propunha ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A Polícia Federal apura se o texto foi redigido pela assessoria do próprio Banco Master e entregue ao senador, conforme reportagens.
A representação também cita indícios de repasses mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil ao senador, aquisição de participação societária com deságio em empresa ligada ao irmão do parlamentar, custeio de viagens e voos privados por Daniel Vorcaro e uso de imóveis. As investigações da PF apontam que Ciro Nogueira teria recebido ao menos R$ 6 milhões entre 2024 e 2025, conforme a Folha de S.Paulo.
O requerimento menciona ainda a decisão cautelar do STF, proferida pelo ministro André Mendonça em 7 de maio de 2026 (Petição 15873), que proíbe Ciro Nogueira de contatar testemunhas e outros investigados da Operação Compliance Zero. A mesma decisão determinou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores dos investigados. A Emenda nº 11 foi rejeitada pelo relator da PEC 65/2023 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
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O processo tramita agora no Conselho de Ética, que pode aplicar sanções que vão de advertência à perda do mandato. Há, contudo, um obstáculo: o Conselho de Ética do Senado está inoperante desde julho de 2024, devido à falta de designação de seus integrantes pela Presidência da Casa, o que impede a análise da denúncia. O estágio atual da tramitação, conforme registro de 10 de agosto de 2026, é "aguardando designação de membros da comissão". Ciro Nogueira nega as acusações e afirma que reapresentará a proposta de ampliação do FGC como projeto de lei.
Cabe ressaltar que o procedimento disciplinar é distinto da investigação criminal conduzida pela PF e pelo STF. Trata-se de mecanismo interno do Senado, voltado a apurar quebra de decoro parlamentar, e não substitui eventuais ações penais.
Fonte oficial: Senado Federal · Consultar publicação original