O senador Rogério Carvalho (PT-SE) apresentou o Requerimento 111/2026, que pede a realização de uma audiência pública, em conjunto com a Comissão de Assuntos Econômicos, para debater as causas estruturais das elevadas taxas de juros no Brasil. A ideia é examinar alternativas de política econômica, monetária, fiscal e financeira para uma redução sustentável dos juros. O texto é datado de 3 de novembro de 2026 e invoca o art. 58, § 2º, II, da Constituição e o art. 93, II, do Regimento Interno do Senado.

Na justificação, o senador afirma que a Selic estava em 13,75% ao ano em setembro de 2026. No mesmo período, segundo dados do Banco Central citados no texto, os juros médios das novas operações de crédito chegaram a 32,4% ao ano, e os das operações com recursos livres, a 49,0% ao ano. Para o autor, isso mostra que o custo do crédito não depende só da taxa básica, e exige investigar os componentes estruturais dos spreads bancários.

O requerimento lista oito pontos a examinar, entre eles: os determinantes históricos dos juros reais elevados e a comparação com outras economias; a efetividade da política monetária no controle da inflação; a relação entre juros, custo da dívida pública e sustentabilidade fiscal; a coordenação entre as políticas monetária, fiscal, cambial e de crédito, respeitadas as competências institucionais; e a composição dos spreads bancários.

Também entram na lista o papel dos bancos públicos, das instituições privadas, das cooperativas de crédito e das fintechs no financiamento produtivo; os impactos distributivos dos juros sobre trabalhadores, famílias endividadas e micro e pequenas empresas; e experiências internacionais que reduzam juros sem comprometer a estabilidade de preços e do sistema financeiro.

Os convidados sugeridos são: André Lara Resende, Armínio Fraga Neto, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Nelson Barbosa, Laura Carvalho, Rodrigo Toneto, Gabriel Galípolo (presidente do Banco Central) e José Luis Oreiro.