O deputado Mauro Benevides Filho (UNIÃO/CE) apresentou, em 4 de novembro de 2026, o Requerimento 56/2026, que pede à Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara a realização de audiência pública sobre a sustentabilidade da dívida pública brasileira, os efeitos das taxas de juros e as alternativas de coordenação entre as políticas fiscal e monetária. O requerimento ainda não foi votado: o registro da Câmara indica a situação "Pronta para Pauta" na CFT.
O tema proposto é "Juros, inflação e sustentabilidade da dívida pública: diagnósticos e alternativas para a economia brasileira". O pedido se baseia nos arts. 255 e 256 do Regimento Interno e depende de decisão do Plenário da comissão. O objetivo é examinar os determinantes das taxas de juros elevadas, seus efeitos sobre o endividamento e o financiamento das políticas públicas e as condições para uma redução sustentável.
Como convidados, o deputado sugere oito nomes: os economistas André Lara Resende, Monica de Bolle e Solange Srour; Élida Graziane Pinto, professora da FGV e procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo; Selene Peres Nunes, especialista em finanças públicas; o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Cardoso Leal; o ministro da Fazenda, Dario Durigan; e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O texto diz que a composição deve assegurar as diferentes correntes de opinião.
Na justificativa, o autor cita a repercussão, no início de novembro de 2026, do artigo "Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos", publicado por Lara Resende em 25 de setembro. Segundo o requerimento, o artigo propõe redução gradual da taxa básica, novo arranjo de coordenação fiscal e monetária e possível uso das reservas internacionais para suavizar pressões cambiais. O texto afirma que a hipótese deve ser submetida ao contraditório técnico.
O requerimento cita Monica de Bolle, que destaca a relevância da desindexação da dívida, e José Sérgio Gabrielli, que apoia um mecanismo mais amplo de articulação entre decisões fiscais e monetárias. Cita também Solange Srour, Ana Paula Vescovi e Felipe Tavares, que questionam uma trajetória predeterminada de queda dos juros sem condições fiscais e inflacionárias compatíveis, apontando riscos de desvalorização cambial e de desancoragem das expectativas.