A deputada Julia Zanatta (PL/SC) apresentou em 19 de outubro de 2026 o Requerimento de Informação 2768/2026, dirigido ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência. O pedido trata dos registros de acesso de Amauri Rodrigues Pinha e de representantes da Empresa Construtora Brasil (ECB/Mota-Engil) ao Palácio do Planalto e a outras instalações da Presidência. Até o registro consultado, o requerimento só havia sido apresentado, sem tramitação posterior nem deliberação.
O período abrangido vai de 1º de janeiro de 2013 até a data da resposta. As instalações listadas são o Planalto e seus anexos, o Palácio da Alvorada, o Palácio do Jaburu e a Granja do Torto. Para cada acesso, a deputada pede data e horários, setor visitado, autoridade recebida, motivo declarado, tipo de credencial e agente público que autorizou a entrada.
O requerimento também pergunta se houve credenciais permanentes ou facilitadas, acessos em dias não úteis ou por entradas reservadas, e quais visitas constaram das agendas públicas. Pede ainda um quadro de correlação temporal entre os acessos e marcos de contratos do grupo, como o leilão do Túnel Imerso Santos-Guarujá (5 de setembro de 2025) e anúncios de contratos com a Petrobras, com os acessos dos 30 dias anteriores e posteriores a cada marco.
Há perguntas sobre sigilo: se algum registro foi classificado, tarjado, omitido, alterado ou excluído, e se algum agente público orientou esse tratamento. A deputada pede os dados em formato aberto (.xlsx ou.csv) e lembra que, pelo art. 50, §2º, da Constituição, a recusa ou o não atendimento no prazo de 30 dias é crime de responsabilidade.
Na justificativa, ela cita entrevista divulgada pela CNN Brasil em 17 de outubro de 2026 com Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em inquérito que envolve Fábio Luís Lula da Silva. Segundo a entrevistada, a ECB teria acumulado cerca de R$ 2 bilhões em contratos desde que Pinha assumiu a presidência. O texto registra que a Presidência disse desconhecer os fatos, que a entrevistada declarou não ter informação de irregularidade no contrato citado e que as declarações não foram comprovadas.