A deputada Júlia Zanatta (PL/SC) apresentou, em 19 de outubro de 2026, o Requerimento de Informação 2766/2026, dirigido ao ministro dos Transportes. O texto pede dados sobre o acesso de Amauri Rodrigues Pinha e de representantes da Empresa Construtora Brasil (ECB/Mota-Engil) às sedes do Ministério dos Transportes e do DNIT, inclusive superintendências regionais. O requerimento foi apenas protocolado e não houve votação nem outra tramitação até agora.

Os pedidos de acesso cobrem o período de 1º de janeiro de 2013 até a data da resposta. A deputada quer registros de entrada e saída, credenciais, agendas, audiências, reuniões e comunicações com o ministro, secretários e dirigentes do DNIT, além de um quadro que cruze visitas e reuniões com marcos dos contratos, como aditivos e pagamentos.

Quanto aos contratos, o período vai de 1º de janeiro de 2003 até a resposta. O requerimento pede a relação de ajustes da ECB, de consórcios de que ela participa e das empresas Camargo Corrêa, Galvão Engenharia e Andrade Gutierrez. Também pede aditivos, reequilíbrios, sanções, auditorias, gestores e fiscais, e se o nome de Amauri Pinha consta em alguma função nesses contratos.

Dois contratos são tratados em itens específicos: o de nº 00412/2016, de R$ 343,2 milhões, firmado por dispensa de licitação, e o de nº 00817/2013, de R$ 537,0 milhões, com forma de contratação registrada como "sem informação" no Portal da Transparência. A deputada pede a base legal e a íntegra dos processos. Segundo o requerimento, o Portal lista oito contratos da ECB com o Ministério dos Transportes (DNIT e o extinto DNER), somando cerca de R$ 1,31 bilhão, com dados atualizados só até 5 de abril de 2024.

Na justificativa, ela cita entrevista divulgada pela CNN Brasil em 17 de outubro de 2026 com Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em inquérito que envolve Fábio Luís Lula da Silva. Segundo a entrevistada, a ECB teria acumulado cerca de R$ 2 bilhões em contratos desde que Pinha assumiu a presidência. O próprio requerimento registra que a Presidência da República disse desconhecer os fatos e que a entrevistada declarou não ter informação de irregularidade no contrato citado. A autora trata as declarações como ainda não comprovadas e ressalva a presunção de inocência de todos os envolvidos.