A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) concluiu a instrução do processo administrativo nº 08700.002012/2021-26, que apura a prática de cartel internacional no mercado de aquisição de direitos de transmissão de eventos esportivos. O parecer final recomenda a condenação de 24 partes e o arquivamento de três outras. Não houve condenação definitiva — a SG apenas emite recomendação; caberá ao Tribunal do Cade (Plenário) julgar o caso, preservando a presunção de inocência das partes.

O processo foi instaurado em 3 de fevereiro de 2022, conforme nota publicada no site do Cade. A investigação apura indícios de que os envolvidos coordenaram preços e lances em concorrências privadas, dividiram o mercado por meio de propostas de cobertura, abstenções de competir e acordos de lances conjuntos, além de terem trocado informações concorrencialmente sensíveis. As condutas anticompetitivas teriam ocorrido entre, pelo menos, 2008 e 2017.

No despacho, a SG apontou indícios de infração aos arts. 20, incisos I e III, e 21, incisos I, II, III e IV, da Lei nº 8.884/94 (legislação antitruste anterior), e ao art. 36, incisos I e III, §§ 3º, inciso I, alíneas a, b, c, incisos II e III, da Lei nº 12.529/2011 (vigente). A citação das duas leis deve-se ao fato de a conduta investigada abranger período anterior e posterior à entrada em vigor da nova lei antitruste, em 2012.

Entre as 24 partes recomendadas para condenação estão as empresas BE4 S.A.R.L. Lussemburgo e B4 Italia Srl — in liquidazione, União Europeia de Radiodifusão (European Broadcasting Union), Infront Sports and Media A.G., Media Partners & Silva, UFA Sports GmbH e Telefónica de Contenidos SAU, além de 18 pessoas físicas ligadas ao mercado de direitos esportivos, incluindo executivos como Fabio de Santis, Riccardo Silva, Stephan Herth, Tim Cotton e outros.