O governo brasileiro publicou no Diário Oficial da União, em 8 de julho de 2026, o "Compromisso Intergovernamental sobre a Posse de Terras em Países de Florestas Tropicais", firmado durante a COP30, em Belém (PA), em novembro de 2025. Pela República Federativa do Brasil, assinou o documento Sônia Guajajara, ministra de Estado dos Povos Indígenas.

O compromisso foi celebrado por 11 governos de nações com florestas tropicais — Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Fiji, Gana, Indonésia, Paquistão, República Democrática do Congo, Tanzânia e o governo do Estado de Rio Cross, na Nigéria — e por quatro governos apoiadores: Alemanha, Noruega, Países Baixos e Reino Unido. Também participam como referência o Secretariado da Aliança de Líderes para Florestas e Clima e o Forest Tenure Finance Group (FTFG).

O texto reafirma o objetivo de deter e reverter a perda florestal e a degradação da terra até 2030, conforme a Declaração dos Líderes de Glasgow, e estabelece duas metas para os países tropicais: expandir os direitos de posse da terra para povos indígenas, comunidades tradicionais e pessoas afrodescendentes em pelo menos 80 milhões de hectares até 2030; e fortalecer, em outros 80 milhões de hectares, os direitos de governança da terra e a proteção de territórios onde já existe algum reconhecimento formal desses grupos. As medidas devem ser adotadas "de acordo com as leis nacionais e subnacionais", esclarece o documento.

Para cumprir essas metas, os signatários se comprometem a agilizar processos de demarcação, titulação e registro de terras consuetudinárias; promover reformas legais e políticas; reafirmar o direito de consulta prévia e o Consentimento Livre, Prévio e Informado, conforme a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas; e fortalecer a proteção de povos indígenas em isolamento voluntário ou contato inicial.

Do lado financeiro, os governos apoiadores se comprometem a promover o "Compromisso de Posse da Terra e Florestas" do Forest Tenure Finance Group, que prevê mobilizar entre US$ 1,6 bilhão e US$ 1,8 bilhão no período de 2026 a 2030. Os recursos devem financiar guardiões da terra e da floresta, apoiar reformas políticas e planejamento do uso da terra e criar condições institucionais, financeiras e sociais para valorizar esse trabalho. Os signatários também se comprometem a apoiar condições para que o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) destine um "mínimo de 20% dos pagamentos florestais aos povos indígenas e comunidades locais".