Oito senadores, entre eles Randolfe Rodrigues (PT/AP), Beto Faro, Humberto Costa, Rogério Carvalho, Eliziane Gama, Paulo Paim, Camilo Santana e Teresa Leitão, apresentaram ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado uma denúncia por quebra de decoro contra o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ). O texto, datado de 20 de outubro de 2026, foi registrado como PCE 22/2026 e consta como aguardando a designação dos membros da comissão. Até o momento não há deliberação registrada sobre o caso.
Os denunciantes sustentam que Flávio Bolsonaro solicitou e cobrou pessoalmente de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, um aporte de US$ 24 milhões para o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo a denúncia, ao menos US$ 12,33 milhões foram remetidos, inclusive depois de o Banco Central reprovar a venda do Master ao BRB. Os recursos teriam seguido, por meio de um doleiro, até o fundo Havengate, nos Estados Unidos, gerido pelo advogado Paulo Calixto, que o próprio senador descreveu como de confiança de seu irmão Eduardo.
O documento afirma ainda que o senador faltou com a verdade em declarações públicas sobre a relação com Vorcaro, citando, por exemplo, a negativa de contato com o banqueiro e a afirmação de que o último pagamento teria ocorrido em maio de 2025. Os autores apontam que o Coaf e a Polícia Federal registram remessa de US$ 1.666.667 em 16 de setembro de 2025.
Outro eixo trata de benefícios sem contraprestação financeira: voo em jato ligado a Vorcaro em janeiro de 2025, uso de mansão em Angra dos Reis em fevereiro de 2026 e hospedagem em apartamento em São Paulo em agosto de 2026. O intermediário seria o advogado Willer Tomaz.
A denúncia também cita material da Polícia Federal segundo o qual o senador figurava como "usuário master" de conta no Banco Santander da offshore Alcazar Holdings, de Tomaz, e teria recebido trechos de jato contratados em 2025 pela Cathedral Holdings. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam conta conjunta; a defesa do advogado atribui o registro a erro cadastral do banco. A denúncia lembra que Flávio é investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal, e que a Polícia Federal pediu a prorrogação de um deles.