Na plataforma
Crie uma conta gratuita para seguir temas, empresas e fontes oficiais — as novidades chegam no seu feed e no resumo por email. Monitoramento com alertas está nos planos profissionais.
Na edição atual, o Atlas estruturou 3.391 publicações de 44 órgãos.
A 3ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Distrito Federal converteu, em 31 de julho de 2026, um procedimento administrativo em Inquérito Civil para investigar a degradação continuada da qualidade das águas do Rio Melchior. A decisão consta da Portaria nº 3/2026, publicada no Diário Oficial da União em 10 de agosto de 2026.
O inquérito apura o lançamento irregular de efluentes domésticos, industriais e de chorume nos corpos hídricos da bacia do Rio Melchior, em um trecho de 3.204 metros entre o ponto a montante dos emissários e o emissário da unidade industrial Seara Alimentos/JBS. A investigação envolve quatro partes: o Serviço de Limpeza Urbana do DF (SLU), titular do Aterro Sanitário de Brasília; a Hydros Soluções Ambientais, operadora da Unidade de Tratamento de Chorume do aterro; a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (CAESB), operadora das Estações de Tratamento de Esgoto Samambaia e Melchior; e a empresa Seara Alimentos/JBS, titular de emissário de lançamento no rio.
A portaria foi originada a partir do Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Rio Melchior, da Câmara Legislativa do DF, encaminhado ao Ministério Público em dezembro de 2025. A CPI, presidida pela deputada Paula Belmonte, investigou a poluição do rio — classificado na classe 4, o pior nível da Resolução CONAMA nº 357/2005, que proíbe contato humano —, que abastece cerca de 1,3 milhão de pessoas no DF e recebe aproximadamente 40% dos esgotos da região, segundo dados da página da CPI na Câmara Legislativa.
Entre os principais achados apontados na portaria, destaca-se que a Unidade de Tratamento de Chorume do Aterro Sanitário de Brasília operou por aproximadamente quatro anos sem instrumento autorizativo vigente: a Autorização Ambiental nº 14/2020, do Instituto Brasília Ambiental (IBRAM), venceu em 12 de junho de 2021 e só foi substituída em setembro de 2025 pela Autorização Ambiental nº 05/2025, válida até 9 de setembro de 2026. A nova autorização, embora mais rigorosa em alguns parâmetros, suprimiu a obrigação de realização de polimento final do efluente que constava da autorização anterior.
O documento também aponta divergências relevantes entre laboratórios de monitoramento. A Hydros adotou o enquadramento do rio na classe 4 em seus laudos — que, por não fixar padrão de qualidade para a maioria dos parâmetros, impede a declaração de não conformidade. Já os laudos do laboratório Conágua, contratado pelo SLU, avaliaram a água superficial em relação à classe 3, e 71,58% das amostras apresentaram violação. Um relatório técnico preliminar do MPDFT concluiu que a divergência entre os laboratórios é real quanto ao resultado, mas decorre da adoção de diferentes referenciais normativos, e não de erro analítico.
O enquadramento do Rio Melchior na classe 4 foi fixado pela Resolução CRH/DF nº 02/2014. A portaria questiona a compatibilidade desse enquadramento com os dados técnicos e comunica a instauração do inquérito ao Conselho de Recursos Hídricos do DF para manifestação.
Outros pontos investigados incluem: a interrupção da medição de vazão pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (ADASA) entre junho de 2023 e fevereiro de 2026; a existência de 253 autos de infração lavrados pelo IBRAM na bacia desde janeiro de 2021, sem informação consolidada sobre seu andamento; e o pedido da Seara Alimentos/JBS para ampliar a vazão de lançamento de efluentes de cerca de 288 m³/h para 450 m³/h, em processo de renovação de outorga junto à ADASA.
Os destaques das fontes oficiais, toda semana no seu email.
Inscrição imediata, com email de confirmação. Cancele quando quiser, com um clique.
Sua inscrição começa imediatamente. Também enviamos um email de confirmação, com um link para cancelar caso não tenha sido você.
A CAESB informou que obras de polimento final do efluente nas estações de tratamento estão em execução, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026, mas o sistema elétrico e de controle ainda deve ser licitado, com término previsto para o segundo semestre de 2027. A companhia também relatou que o reaproveitamento agrícola de efluentes — opção de maior potencial redutor — encontra-se limitado pela perda de áreas de plantio para loteamento irregular em Vicente Pires, Colônia Agrícola Samambaia e áreas lindeiras de Ceilândia.
SLU e IBRAM foram requisitados a apresentar documentos e esclarecimentos no prazo de 30 dias. O inquérito também foi comunicado à Agência Nacional de Águas (ANA), ao Ministério do Meio Ambiente, ao IBAMA, ao Ministério Público de Goiás — dado que registros de monitoramento foram identificados em território goiano e o Rio Melchior é tributário do Rio Descoberto, com repercussões para o Lago de Corumbá 4, usado no abastecimento público —, e a diversos comitês de bacia e conselhos.
Paralelamente, a 3ª Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística já havia instaurado, em 25 de março de 2026, outro Inquérito Civil (Portaria nº 30/2026) para apurar o parcelamento irregular do solo e a ocupação indevida de áreas de preservação permanente na mesma bacia, com previsão de atuação conjunta entre os dois procedimentos.
Fonte oficial: Diário Oficial da União · Consultar publicação original