O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, na reunião nº 282, realizada em 4 de novembro de 2026, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, mesmo patamar anterior (variação de 0 ponto percentual). A decisão foi unânime. Votaram o presidente Gabriel Muricca Galípolo e os membros Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
Segundo o comunicado, o ambiente externo tornou-se mais adverso com o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, que pressionam o preço do petróleo e de derivados, e com a política monetária mais restritiva nas economias avançadas. Esse cenário, diz o Comitê, exige cautela dos países emergentes, em ambiente de maior volatilidade de preços de ativos e commodities.
No cenário doméstico, os indicadores apontam moderação mais acentuada da atividade, principalmente em setores mais cíclicos. O mercado de trabalho permanece resiliente, com sinais de desaquecimento na margem. A inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram e estão acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.
As expectativas de inflação da pesquisa Focus para 2026 e 2027 distanciaram-se ainda mais da meta, em 5,2% e 4,8%. A projeção do Copom para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante, subiu para 3,5% no cenário de referência, com a incorporação de choques de oferta. Para o IPCA, a tabela do comunicado projeta 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027. A projeção usa a trajetória da Selic extraída da Focus e câmbio partindo de R$ 5,20/US$.
O Comitê afirma que os riscos, de alta e de baixa, seguem mais elevados que o usual, com assimetria altista. Entre os de alta estão a desancoragem das expectativas por período mais longo, a maior resiliência da inflação de serviços, políticas econômicas que tenham impacto inflacionário maior que o esperado (como um câmbio persistentemente mais depreciado) e estímulos à demanda, em particular ao consumo. Entre os de baixa, uma desaceleração doméstica mais acentuada, uma desaceleração global mais pronunciada e a queda dos preços das commodities.