O Banco Central do Brasil (BC) divulgou nesta terça-feira (27/10) o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao primeiro semestre de 2026, publicação semestral que apresenta o panorama da evolução recente e as perspectivas para a estabilidade financeira no país. O BC considera que não há risco relevante para a estabilidade financeira.
Segundo o BC, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) permanece com capitalização e liquidez confortáveis e provisões adequadas ao nível de perdas esperadas. O sistema segue rentável e resiliente, apesar do recuo da rentabilidade, e os testes de estresse de capital e de liquidez demonstram a robustez do sistema bancário.
Na parte de risco, o relatório afirma que a materialização de risco aumentou e deve continuar pressionada no curto prazo. Os ativos problemáticos elevaram-se no crédito às famílias e atingiram o maior nível desde 2012 na maioria das modalidades. A inadimplência foi o principal fator desse movimento e teria se elevado mesmo que as políticas de baixa a prejuízo não tivessem sido alteradas em 2025. As estimativas de probabilidade de default indicam continuidade da pressão na maioria das modalidades na segunda metade de 2026.
No crédito às empresas, a materialização de risco também aumentou e as probabilidades de default mantiveram-se elevadas, sobretudo para micro, pequenas e médias empresas. O crédito bancário a essas empresas desacelerou, embora tenha havido leve melhora na qualidade das novas contratações, o que sugere maior cautela na concessão.
O financiamento à economia real desacelerou, em linha com as condições financeiras mais restritivas e a moderação da atividade econômica. O crédito bancário às famílias arrefeceu na carteira de maior risco e ficou estável na de menor risco. O mercado de capitais segue crescendo em ritmo bastante superior ao do crédito bancário.