A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados convocou um seminário para discutir o desmatamento e outros crimes ambientais associados a atividades do agronegócio fomentadas por fundos de investimento. A iniciativa partiu do Requerimento 19/26, do deputado federal Nilto Tatto (PT-SP).

O evento está marcado para 30 de junho de 2026 e contará com participação de representantes do Ministério da Fazenda; do secretário-executivo da Repórter Brasil, Marcel Gomes; da diretora de Estratégia do Instituto Dados, Maria Eduarda Senna Mury; do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais, Gabriel Bezerra Santos; do representante da Coalizão Forests & Finance, Tarcísio Feitosa da Silva; do professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Silvio Eduardo Candido; do professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Sergio Pereira Leite; e do procurador do Ministério Público Federal Ricardo Negrini. Silvio Eduardo Candido e Ricardo Negrini terão participação virtual. A presença de Gabriel Bezerra Santos e de Sergio Pereira Leite constava como convidada na lista oficiaIs divulgada.

A Coalizão Forests & Finance — da qual Tarcísio Feitosa da Silva participa — reúne organizações que monitoram o financiamento de atividades ligadas ao desmatamento. Um relatório recente da coalizão apontou que bancos globais destinaram US$ 72 bilhões a setores de risco florestal em 18 meses, enquanto investidores detinham US$ 42 bilhões em ações e títulos de 191 empresas de risco florestal até setembro de 2025, segundo dados divulgados pela Forests & Finance.

A discussão na Câmara ocorre em um contexto de pressão por maior regulação dos fluxos financeiros para cadeias como carne bovina e soja, frequentemente associadas ao desmatamento. Segundo nota da Câmara sobre o evento, Tatto argumentou que, enquanto o Conselho Monetário Nacional já tem regras para limitar crédito rural a infratores ambientais, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda não dispõe de regulamentação semelhante para os fundos de investimento. O seminário tem caráter informativo e não produz decisão vinculante, servindo de insumo para o debate legislativo e para eventual aprimoramento de políticas públicas de transparência financeira e preservação ambiental.