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O Banco do Brasil comunicou ao mercado, em 7 de julho de 2026, a contratação da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) para a prestação de serviços postais, em operação avaliada em R$ 2,307 bilhões e vigência de 60 meses. O contrato foi assinado em 26 de junho e entrou em vigor em 2 de julho.
A divulgação foi feita na forma de Comunicação sobre Transação entre Partes Relacionadas, categoria exigida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quando o negócio envolve entes ligados. É o caso: tanto o Banco do Brasil quanto os Correios são empresas controladas pela União.
O objeto abrange serviços postais convencionais, especiais e telemáticos, em operações nacionais e internacionais. O contrato substitui o instrumento firmado em 2021, que tinha teto de R$ 2,17 bilhões — uma diferença de cerca de 6%, atribuída pelo banco à correção inflacionária, sem alteração no escopo dos serviços.
Segundo o banco, não houve consulta a outros fornecedores. A instituição afirma que 97,84% das despesas com postagens correspondem a serviços prestados em regime de exclusividade pelos Correios, sujeitos ao monopólio postal da ECT, o que caracteriza a inviabilidade de competição. Para os serviços remanescentes, o banco alega que nenhuma outra empresa reúne infraestrutura equivalente à capilaridade nacional dos Correios, sobretudo em municípios remotos.
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O contrato ocorre em meio à pior fase financeira da estatal. Os Correios encerraram 2025 com prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões — o quarto resultado negativo consecutivo e mais que o triplo do rombo de 2024 (R$ 2,6 bilhões) —, com receita bruta em queda de 11% e patrimônio líquido negativo em R$ 13,1 bilhões. O resultado foi puxado, sobretudo, pelo provisionamento de obrigações judiciais.
Para atravessar a crise, a empresa contratou, no fim de 2025, uma operação de crédito de R$ 12 bilhões com um consórcio de bancos públicos e privados — Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander —, hoje sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU), e negocia um novo empréstimo de cerca de R$ 7 bilhões. O plano de reestruturação prevê ainda a venda de imóveis e o fechamento de agências deficitárias.
O contrato do Banco do Brasil não é isolado. Na mesma quinzena, o INSS prorrogou, também por inexigibilidade, o seu próprio contrato de serviços postais com os Correios — o contrato nº 40/2020, no valor de R$ 904,72 milhões. Somados, os dois ajustes representam mais de R$ 3,2 bilhões em serviços postais contratados sem licitação por entidades controladas pela União no período — uma ilustração de como o mercado reservado da ECT e os contratos entre estatais funcionam, na prática, como uma forma de sustentação da empresa que não aparece como aporte direto no Orçamento.
Fonte oficial: Comissão de Valores Mobiliários · Consultar publicação original