A ata da 278ª reunião do Copom, realizada em 29 de abril de 2026, foi divulgada nesta quinta-feira. O Comitê manteve a Selic em 14,5% e, ao analisar o cenário, ressaltou a persistente incerteza externa, sobretudo pelos conflitos no Oriente Médio, que elevam a volatilidade dos preços de commodities e dos mercados financeiros.

No âmbito doméstico, o texto aponta que a atividade econômica continua em trajetória de moderação, enquanto o mercado de trabalho permanece resiliente, com desemprego em patamares historicamente baixos. Contudo, a inflação cheia e subjacente aceleraram, e as expectativas de inflação para 2026 e 2027, segundo a pesquisa Focus, ficaram em 4,9% e 4,0%, acima da meta de 3% (+‑1,5 p.p.). O Comitê enfatiza que a desancoragem das expectativas, sobretudo para horizontes mais longos, exige uma política monetária mais restritiva e por um período mais prolongado.

Em relação ao balanço de riscos, a ata indica que os riscos de alta inflacionária permanecem elevados, destacando a possibilidade de desvalorização cambial e a resiliência da inflação de serviços. Por outro lado, riscos de baixa incluem uma desaceleração econômica mais acentuada e a queda dos preços das commodities. Diante desse cenário, o Copom reforça a necessidade de manter a taxa de juros em patamar contracionista, sinalizando que ajustes futuros dependerão da evolução das expectativas e dos choques externos.

Para a população, a manutenção de juros elevados implica crédito mais caro para empréstimos, financiamentos e cartões de crédito, bem como menor rentabilidade em investimentos atrelados à taxa Selic. O Comitê deixa claro que a política monetária continuará a ser calibrada conforme novos dados, buscando equilibrar a contenção da inflação com a preservação do crescimento econômico.