A empreiteira que o DNIT não para de renovar: LCM soma R$ 5,6 bi em atos rodoviários em 2026 — e o grosso do valor vem de aditivos
Uma única construtora concentra mais de quatro vezes o valor da segunda colocada nos atos contratuais do DNIT em 2026 — e a dominância vem menos de licitações novas do que da renovação seguida de contratos antigos, alguns de 2017.
Por Redação Atlas Público · · 6 min de leitura
Dados até 9 de junho de 2026 — os números desta análise descrevem esse recorte e não são atualizados em tempo real.
Nos registros estruturados do Diário Oficial da União, um CNPJ aparece mais do que qualquer outro nas páginas de contratos do DNIT em 2026: o da LCM Construção e Comércio S.A. De janeiro ao início de junho, a empreiteira mineira esteve ligada a cerca de 60 atos contratuais da autarquia que administra as rodovias federais, movimentando R$ 5,6 bilhões em valores publicados — mais de quatro vezes a segunda colocada, a Castilho Engenharia (R$ 1,38 bilhão), e quase um quinto de todo o valor que o DNIT publicou em atos contratuais no mesmo período.
R$ 5,6 bi
em valores publicados em ~60 atos do DNIT
7/jan–9/jun
4×
o valor da 2ª colocada (Castilho, R$ 1,38 bi)
20 estados
cerca de três quartos das superintendências do DNIT
Mais de quatro vezes a segunda colocada
Valores publicados em atos contratuais do DNIT por fornecedor · 7/jan–9/jun/2026
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| Fornecedor | Valor |
|---|---|
| LCM Construção | R$ 5,63 bi · ~60 atos |
| Castilho Engenharia | R$ 1,38 bi · 12 atos |
Fonte: Atlas Público, a partir das publicações oficiais estruturadas.
Antes de seguir, o limite do retrato: a base estruturada do Atlas começa em novembro de 2025, então tudo aqui descreve o que aconteceu em 2026 até agora — não uma comparação com anos anteriores. E o número pede cuidado — é justamente no detalhe que mora a história.
Por que R$ 5,6 bilhões não são R$ 5,6 bilhões
Os R$ 5,6 bilhões são a soma bruta dos valores publicados nos atos: contratos novos, termos aditivos e apostilamentos. Quando um aditivo prorroga um contrato, o valor que sai no Diário costuma reafirmar o valor cheio do contrato — e o mesmo dinheiro conta duas vezes. O caso mais claro é o contrato 938/2017, da superintendência da Paraíba: ele aparece duas vezes em 2026 (um aumento de valor em março, uma prorrogação em junho), cada vez carimbando os mesmos R$ 567 milhões.
Feita a limpeza — considerando o maior valor publicado por contrato —, a carteira que a LCM movimentou junto ao DNIT em 2026 fica em torno de R$ 4,6 bilhões, espalhados por cerca de 50 contratos. E o dinheiro genuinamente novo é uma fração disso: os extratos de contrato publicados como novos no período somam pouco mais de R$ 800 milhões — e, entre eles, os contratos com numeração de 2026 somam R$ 533 milhões; o restante são contratos de anos anteriores cujos extratos só agora saíram no Diário.
Por que R$ 5,6 bilhões não são R$ 5,6 bilhões
Três leituras do mesmo conjunto de atos · R$ bilhões · 7/jan–9/jun/2026
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| Leitura | Valor |
|---|---|
| Soma bruta dos atos | R$ 5,6 bi |
| Carteira deduplicada por contrato | ≈ R$ 4,6 bi |
| Contratos com numeração de 2026 | R$ 533 mi |
Fonte: Atlas Público, a partir das publicações oficiais estruturadas.
Crescimento por renovação, não por concorrência
É essa a anatomia da dominância: dos cerca de 60 atos da LCM no ano, 45 são termos aditivos ou apostilamentos — prorrogações, reajustes e acréscimos sobre contratos que já existiam. Vários vêm de longe: o 938/2017 da Paraíba, contratos de 2020 no Amazonas, de 2021 em Rondônia, de 2022 no Amapá — alguns já no 12º, 13º, até 17º termo aditivo.
Aditivo e apostilamento são instrumentos legais e rotineiros — a Lei de Licitações os prevê, limita acréscimos a 25% do valor original e trata reajuste por índice como direito do contratado. Não há, nos dados, qualquer indício de irregularidade. O que os dados mostram é um modo de operação: a manutenção da malha federal flui, em grande parte, pela renovação continuada de contratos de um punhado de empreiteiras, e não por nova disputa.
E o padrão não é exclusividade da líder. A própria Castilho Engenharia, segunda no ranking, tem 84% do seu valor em aditivos e apostilamentos. Pela nossa estimativa, os cinco maiores fornecedores do DNIT no ano concentram cerca de um terço de todo o valor em que há fornecedor identificado.
Uma empreiteira, 20 estados
A LCM aparece em contratos de 20 estados, do Amazonas ao Rio Grande do Sul — cerca de três quartos das superintendências regionais do DNIT, que contratam de forma descentralizada, uma por estado. Poucas empresas de infraestrutura têm essa capilaridade; nas BRs, a LCM se tornou quase uma segunda malha.
E julho não parou: só nesta semana, o Diário trouxe um novo lote de renovações da empresa — a prorrogação do contrato da BR-135 no Maranhão, de R$ 125 milhões, um aditivo de R$ 67,9 milhões no Espírito Santo, a prorrogação por mais um ano de um contrato de R$ 125 milhões no Piauí e a extensão por 90 dias do velho 938/2017 na Paraíba, entre outros. Esses atos de julho ainda não entraram no agregado acima — são a continuação dele.