Art. 3º Esta
Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.
João André Calvino Marques Pereira Haroldo Jayme Martins Froes Cruz
Chefe do Departamento de Regulação Chefe do Departamento de Tecnologia
do Sistema Financeiro da Informação
ANEXO À INSTRUÇÃO
NORMATIVA BCB Nº 95, DE 14 DE ABRIL DE 2021
Manual de APIs do Open Banking Versão 2.0
Histórico de revisão****
| Data | Versão | Descrição das alterações |
| --- | --- | --- |
| 29/10/2020 | 1.0 | Versão inicial. |
| 14/4/2021 | 2.0 | Incorporação de requisitos da Fase 2 do Open Banking.Alteração de “Especificações” na seção de “Definições e recomendações”.Aprimoramento da “Introdução” e exclusão da seção de “Apresentação”. |
Termos de Uso****
Este manual detalha os requisitos técnicos para a implementação
dos elementos necessários à operacionalização do Open Banking,
complementando a regulamentação vigente sobre o tema.
O manual será revisto e atualizado periodicamente a fim de
preservar a compatibilidade com a regulamentação, bem como para incorporar os
aprimoramentos decorrentes da evolução do Open Banking e da tecnologia.
Informações mais detalhadas e exemplos da aplicação deste manual
poderão ser encontrados nos guias e tutoriais disponíveis no Portal do Open Banking no Brasil, na Área do Desenvolvedor.
Sugestões, críticas ou pedidos de esclarecimento de dúvidas
relativas ao conteúdo deste documento podem ser enviados ao Banco Central do
Brasil por meio dos canais institucionais dessa autarquia.
Referências****
Estas
especificações baseiam-se, referenciam e complementam, quando aplicável, os
seguintes documentos:
| Referência | Origem**** |
| --- | --- |
| Resolução Conjunta nº 1, de 2020 | https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o%20Conjunta&numero=1 |
| Resolução BCB nº 32, de 2020 | https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o%20BCB&numero=32 |
| Hypertext Transfer Protocol – HTTP/1.1 | https://tools.ietf.org/html/rfc2616 |
| ISO 20022 | https://www.iso20022.org/ |
| OpenAPI Specification | https://github.com/OAI/OpenAPI-Specification/blob/3.0.0/versions/3.0.0.md |
| Representational State Transfer | https://www.ics.uci.edu/~fielding/pubs/dissertation/rest_arch_style.htm |
1. Introdução****
O Open Banking
está intrinsecamente ligado às APIs, interfaces por meio das quais será
possível interligar os diferentes sistemas das instituições. Ao serem
disponibilizadas pelos participantes, as APIs precisam satisfazer condições tais como padronização,
robustez e segurança, a fim de que o objetivo de compartilhamento de dados e
serviços seja atendido a contento.
Nesse sentido, este
manual visa a definir os principais aspectos relativos às especificações e
implementações das APIs que integram o Open Banking no País, observando
as disposições da Resolução Conjunta nº 1, de 4 de maio de 2020, e da Resolução
BCB nº 32, de 29 de outubro de 2020.
São
tratados neste manual aspectos como: formato para a troca de dados, desenho da
interface, protocolo para transmissão de dados, versionamento, modelo de APIs e
endpoints. Desse modo, o manual estabelece as diretrizes gerais sem
esgotar todos os aspectos necessários à implementação das APIs para o Open Banking. As demais definições a cargo do mercado, por meio da estrutura
responsável pela governança, nos termos da Circular nº 4.032, de 23 de junho de
2020, estarão disponíveis no Portal do Open Banking**no Brasil, no
qual poderão ser encontrados guias, tutoriais e outras informações operacionais
sobre as APIs.
Ao longo
deste manual, será constante o uso de siglas e terminologia específica para
designar algumas expressões cotidianas dos profissionais da área de tecnologia.
Alguns exemplos das mais frequentemente utilizadas, com as correspondentes
definições, são as seguintes:
I -
API (Application Programming Interface): um conjunto de definições sobre como um sistema
pode acessar dados ou funcionalidades providos por um outro sistema;
II -
REST (Representational State Transfer): estilo arquitetural de software;
III -
API RESTful: API que adere às restrições do estilo arquitetural REST;
IV -
OpenAPI: linguagem de especificação de APIs RESTful;
V - Endpoint: elemento de uma especificação OpenAPI sobre o qual podem ser executadas
operações para acessar dados ou funcionalidades;
VI - HTTP (Hypertext Transfer Protocol): protocolo para sistemas hipermídia, distribuídos e colaborativos; e
VII -
Operação: elemento de uma especificação OpenAPI que declara uma maneira válida
de se acessar um endpoint, informando, por exemplo, qual método HTTP
(GET, POST, etc.) utilizar, nomes e tipos de parâmetros, etc.
2. APIs do Open Banking****
A
tabela abaixo exibe as APIs que integram o Open Banking. A coluna "Tipo"
informa a classificação da API para fins de desempenho (ver a subseção "Desempenho"
da seção "Requisitos Não Funcionais").
| Nome | Descrição | Tipo |
| --- | --- | --- |
| Produtos e Serviços | Deve dar acesso a dados abertos relacionados a produtos e serviços oferecidos pelos participantes do Open Banking. | Média prioridade |
| Canais de Atendimento | Deve dar acesso a dados abertos relacionados aos canais de atendimento ao público oferecidos pelos participantes do Open Banking. | Média prioridade |
| Consentimento | Deve permitir a criação, consulta e revogação de consentimentos. | Média prioridade |
| Dados Cadastrais | Deve dar acesso aos dados cadastrais de clientes e seus representantes. | Média prioridade |
| Cartão de Crédito | Deve dar acesso a dados de contas de pagamento pós-paga. | Média prioridade |
| Contas | Deve dar acesso a dados de contas de depósito à vista, contas de poupança e contas pré-paga. | Média prioridade |
| Operações de Crédito | Deve dar acesso a dados de operações de crédito do tipo empréstimo, financiamento, adiantamento a depositantes e antecipação de recebíveis – direitos creditórios descontados. | Média prioridade |
| Situação do Ambiente | Deve dar acesso a dados sobre a disponibilidade atual das implementações das APIs. Também deve dar acesso a dados sobre indisponibilidades programadas. | Alta prioridade |
3. Princípios****
Os
princípios abaixo norteiam as especificações e implementações das APIs do Open Banking.
3.1 Experiência do usuário****
As
especificações e implementações das APIs devem oferecer uma boa experiência
para os usuários, sejam eles implementadores ou consumidores das APIs.
3.2 Independência de tecnologia****
As
especificações das APIs devem ser independentes de tecnologia, podendo ser
implementadas e consumidas em diferentes linguagens e/ou plataformas tais como
Java, JavaScript, Python e Windows, Linux, Android e iOS.
3.3 Segurança****
Procedimentos
e controles (assinaturas digitais, criptografia, protocolos de autenticação e
autorização, entre outros) devem ser adotados de forma a proteger os
participantes do Open Banking, seus clientes, os consumidores das APIs e
demais participantes do ecossistema, observada a compatibilidade com a política
de segurança cibernética da instituição.
3.4 Extensibilidade****
No
futuro, as APIs poderão ser evoluídas para atender a novos casos de uso e,
portanto, devem ser especificadas e implementadas de forma a permitir e
facilitar extensões como, por exemplo, novos endpoints, operações,
parâmetros e propriedades.
3.5 Padrões abertos****
Padrões
abertos devem ser adotados sempre que possível.
3.6 APIs RESTful****
As
especificações das APIs devem atender às restrições do estilo arquitetural REST
sempre que possível.
3.7 ISO 20022****
As
respostas das APIs devem ter como base, sempre que possível, os elementos e
componentes de mensagem ISO 20022 (https://www.iso20022.org/), os quais poderão
ser modificados, caso necessário, para deixar as respostas mais simples e/ou
atender às características locais, tal como implementado em diferentes
jurisdições.
3.8 Declaração de obrigatoriedade****
Todos
os elementos que compõem as especificações das APIs (endpoints,
operações, parâmetros, propriedades de respostas, etc.) devem ser
explicitamente declarados como "Obrigatório", "Opcional" ou
"Condicional", caso sejam obrigatórios apenas em certas condições.
Funcionalidades
que sejam de implementação opcional pelo transmissor devem ficar explícitas na
sua documentação, tanto para informar adequadamente ao público transmissor, que
poderá ou não implementar a funcionalidade, quanto ao público consumidor, que pode
não encontrar a funcionalidade disponível em alguns transmissores.
4. Definições e recomendações
As
definições e recomendações abaixo devem ser observadas pelas especificações e
implementações das APIs do Open Banking.
4.1 Especificações****
As
APIs devem ser especificadas com a versão 3.0.0 da linguagem OpenAPI
(https://github.com/OAI/OpenAPI-Specification/blob/3.0.0/versions/3.0.0.md).
As
especificações das APIs devem ser analisadas com a versão 5.9.0 do software
livre e de código aberto Spectral
(https://github.com/stoplightio/spectral/tree/v5.9.0). A análise DEVE ser feita
com o conjunto de regras (ruleset) padrão desta versão do Spectral.
O resultado da análise não deve conter erros ou alertas.
É recomendado
que a versão 3.0.25 do software livre e de código aberto Swagger Codegen
(https://github.com/swagger-api/swagger-codegen/tree/v3.0.25) seja utilizado
para gerar o código de clientes e também o código inicial de implementações das
APIs a partir de suas especificações. Recomenda-se que o código gerado seja
analisado com o intuito de identificar possíveis recursos da linguagem OpenAPI
que foram utilizados nas especificações, mas que não são adequadamente
suportados pelo Swagger Codegen e, possivelmente, por outros softwares
que trabalham com especificações OpenAPI. Caso isto ocorra, deve-se avaliar se
não é possível alterar as especificações para não mais fazer uso destes
recursos.
Implementações
de exemplo das APIs devem ser disponibilizadas. Os dados retornados por elas
não precisam ser dados reais e nem volumosos, pois o objetivo da
disponibilização é dar ao Banco Central do Brasil, aos implementadores e aos consumidores
das APIs mais um recurso para dirimir eventuais dúvidas acerca de suas
especificações e implementações. É recomendado que o
código inicial de implementações das APIs mencionado anteriormente seja
complementado de forma a constituir-se nas implementações de exemplo.
As informações disponibilizadas
nos dicionários de dados devem ser consistentes com as especificações OpenAPI associadas.
Todos os endpointsdas
APIs implementados devem ser previamente registrados no diretório de
participantes.
Todos os endpoints
registrados que retornem listas, caso os parâmetros sejam válidos, devem
retornar a lista associada, mesmo que uma seja lista vazia. Não é considerado
um retorno válido o erro 404, neste cenário, quando não houver a informação
associada.
4.2 Versionamento****
As
versões das especificações das APIs serão tipificadas como "major",
"minor", "patch" e "release candidate"
de acordo com os critérios a seguir:
I -major:inclui novas características da implementação, mudanças, correções a
serem incorporadas e que podem ser incompatíveis com versões anteriores, por
exemplo, v1.0.0 e v2.0.0;
II -minor: pequenas mudanças nos elementos já existentes, com manutenção da
compatibilidade com as versões até a major imediatamente anterior, por
exemplo, v1.1.0 e v1.2.0;
III -patch:esclarecimentos às especificações minor, não incluem
alterações funcionais, por exemplo, v1.1.1, v1.1.2; e
IV -release candidate: versões de pré-lançamento de qualquer versão futura do
tipo patch, minor ou major, por exemplo, v1.0.0-rc e
v1.0.0-rc2.
A Estrutura
Responsável pela Governança do Open Banking de que trata o art. 44, § 1º,
da Resolução Conjunta nº 1, de 2020, poderá lançar novas versões dos tipos minor,
patch e release candidate das APIs. Entretanto, versões do tipo major
só poderão ser lançadas com a anuência do Banco Central do Brasil, o qual será
responsável por definir o cronograma de implantação de versões major.
Por
fim, credenciais de acesso associadas às APIs devem ser agnósticas às suas
versões.
4.3 Portal do Open Bankingno Brasil****
O sítio eletrônico de que trata o art. 15 da Resolução BCB nº
32, de 2020, deverá conter definições e recomendações acessórias não
presentes neste manual, bem como outros artefatos necessários à especificação,
implementação e consumo das APIs do Open Banking. Todas as definições e
recomendações acessórias e artefatos publicados no portal deverão estar em
concordância com este e com os demais manuais do Open Banking.
4.4 Cronograma****
O
Portal do Open Banking deverá listar as APIs em produção, suas versões
atuais, datas em que entraram em produção, link para suas especificações
e lista de mudanças desde a última publicação. Também deverá apresentar o
cronograma de homologação das APIs, indicando versão, data de divulgação, data
prevista de entrada em produção e outras informações relevantes.
4.5 Logs de mudanças****
Todas as
versões já publicadas das APIs DEVEM ser listadas no Portal do Open Banking,
juntamente com os respectivos logs de mudanças e períodos em que estiveram
em produção.
4.6 Definições acessórias****
A
Estrutura Responsável pela Governança do Open Banking deverá estabelecer
e publicar no Portal do Open Banking um guia de estilo de especificações
de APIs contendo definições e recomendações para os seguintes elementos:
I - Estrutura
de URIs (*Uniform Resource Identifiers*);
II - Cabeçalhos
HTTP;
III - Códigos
de status HTTP;
IV - Convenções
de corpo de requisições e respostas;
V - Convenções
de nomenclatura;
VI - Tipos
de dados comuns;
VII - Paginação;
e
VIII -
Estabilidade de identificadores.
4.7 Processo de gerência de mudanças
A Estrutura
Responsável pela Governança do Open Banking deve estabelecer e publicar no Portal do Open Banking o processo que ela adotará para gerenciar mudanças nas
especificações das APIs.
4.8 Tutoriais
Todas as
informações necessárias para o desenvolvimento, testes e entrada em produção de
aplicações ou APIs no Open Banking devem estar disponíveis em tutoriais
publicados na Área do Desenvolvedor no Portal do Open Banking. Cada
tutorial deve conter todos os passos necessários para o completo
desenvolvimento da atividade em questão, como desenvolvimento e uso de
aplicações e APIs, autenticação e autorização, uso da Sandbox, aplicação
de testes de conformidade e cadastramento no diretório. Quando pertinente,
devem ser fornecidos exemplos de código fonte ou de capturas de telas, tornando
o processo o mais claro possível para todos os participantes e interessados.
4.9 Extensibilidade
As
especificações das APIs do Open Banking podem não dar acesso a todos os
dados e funcionalidades que um ou mais participantes desejam expor para os
consumidores das APIs. Isso pode ser necessário para melhor suportar casos de
uso ou possibilitar inovações em produtos e serviços financeiros. Para atender
estas e outras necessidades, é facultado aos participantes implementarem
versões estendidas das APIs inteiramente compatíveis com as especificações
padrões das APIs que são:
I - novos
endpoints;
II - novas
operações em endpoints pré-existentes;
III - novos
parâmetros em operações pré-existentes, desde que opcionais; e
IV - novas
propriedades em respostas pré-existentes.
A
Estrutura Responsável pela Governança do Open Banking deverá publicar no
Portal do Open Banking as definições e recomendações acessórias
relacionadas às extensões das APIs.
Todas
as extensões implementadas pelos participantes deverão estar listadas, com sua
documentação referenciada, em seção específica no Portal do Open Banking
e disponíveis para consumo, observadas as regras de ressarcimento de despesas
previstas na regulamentação vigente.
5. Requisitos não funcionais****
Esta
seção apresenta os requisitos não funcionais que as instituições participantes
devem observar na implementação das APIs do Open Banking.
5.1 Limites de tráfego****
As APIs deverão suportar, no mínimo:
I - 300
requisições por segundo globalmente, ou seja, independente do endereço IP (Internet Protocol) do qual provêm as requisições; e
II - 500
requisições por minuto originadas de um mesmo endereço IP.
As
requisições que excederem os limites poderão ser enfileiradas ou recusadas,
caso em que deverão ser respondidas com o código de status HTTP 429 (Too Many Requests).
Por
fim, as requisições que ultrapassarem os limites deverão ser desprezadas no
cálculo do tempo de resposta das implementações das APIs.
5.2 Desempenho****
Deverá
ser medido o tempo de resposta de cada requisição, ou seja, o tempo
transcorrido entre o recebimento de uma requisição que não ultrapassa os
limites de tráfego e o momento em que a requisição é completamente respondida.
Adicionalmente, esta medição deverá ser feita de maneira que os tempos medidos
sejam os mais próximos possíveis dos tempos de resposta experimentados por quem
fez a requisição. Neste contexto, as APIs deverão manter o percentil 95 do
tempo de resposta em no máximo:
I - 1000ms,
caso sejam classificadas como APIs de alta prioridade;
II - 1500ms,
caso sejam classificadas como APIs de média prioridade; e
III - 4000ms,
caso sejam APIs administrativas.
Por
exemplo, em um dia que uma API da alta prioridade receba 10.000 requisições, o
tempo de resposta de pelo menos 9.500 requisições deve ser inferior a 1.000ms.
5.3 Disponibilidade****
As APIs “Produtos e Serviços”, “Canais de Atendimento”,
“Consentimento”, “Dados Cadastrais”, “Cartão de Crédito”, “Contas” e “Operações
de Crédito” deverão satisfazer requisitos mínimos de disponibilidade. Cada um
de seusendpoints deverá estar disponível:
I - 85% do tempo a cada 24 horas; e
II - 95% do tempo a cada 1 mês; e
III - 99,5% do tempo a cada 3 meses.
Há
perspectiva de elevação dos requisitos mínimos de disponibilidade das APIs
destinadas ao compartilhamento de outros dados e serviços do escopo do Open Banking, de forma a harmonizá-los com os dos sistemas de pagamentos
críticos.
O
Portal do Open Banking deverá conter uma especificação detalhada de como
a disponibilidade de cada endpoint
será calculada.
Brasília, 14 de abril de
2021.