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A Braskem S.A. respondeu, em 31 de julho de 2026, ao Ofício 229/2026-SLE da B3, solicitando esclarecimentos sobre reportagem do jornal Valor Econômico de 29/07/2026, intitulada "Após novo fracasso em negociações, Braskem fica mais perto de recuperação judicial, dizem fontes". A matéria indicava que, com menos de 30 dias sob proteção da tutela cautelar que impede cobranças e execuções, a companhia estaria mais próxima de uma recuperação judicial — medida que já teria o consentimento extraoficial de seus principais acionistas.
Em sua resposta, a Braskem reiterou que, conforme fatos relevantes divulgados em 26 de setembro de 2025 e 25 de junho de 2026, contratou assessores financeiro e jurídicos para elaborar um diagnóstico de alternativas econômico-financeiras e vem trocando propostas indicativas e não vinculantes com titulares e gestores de suas Notas Seniores e Debêntures no contexto de uma possível reorganização da estrutura de capital. A companhia informou que recebeu propostas meramente indicativas de grupos de credores, que incluem eventual capitalização e oneração de ativos em garantia, mas que não há, até a data do ofício, definição sobre as condições de uma potencial reestruturação ou sobre eventuais medidas adicionais, judiciais ou não.
A tutela cautelar foi deferida pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo nos dias 25 e 26 de junho de 2026, no âmbito de ação de Tutela de Urgência Cautelar ajuizada pela Braskem e por certas controladas. A medida determina a suspensão de todas as execuções e constrições por credores convidados a participar de mediação instaurada perante a Câmara Wind de Mediação, pelo prazo de 60 dias. Considerando a data da concessão, o prazo se encrega aproximadamente em meados de agosto de 2026.
A Braskem reafirmou que segue "totalmente comprometida" em continuar as discussões com credores financeiros em busca de uma solução consensual, estruturante e ordenada, garantindo a continuidade de operações no curso normal dos negócios. O documento foi assinado pelo Diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Carlos Augusto Machado Pereira de Almeida Brandão.
Contexto da reestruturação
A Braskem tenta reestruturar uma dívida total estimada em cerca de R$ 50 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 7 bilhões (cerca de R$ 36 bilhões) são detidos por bondholders, conforme reportagens da imprensa especializada. A empresa apresentou em junho de 2026 uma proposta de recuperação extrajudicial, denominada "Projeto Catalyst", que previa cinco anos adicionais para pagamento, juros menores e carência de três anos, mas o plano foi rejeitado por um grupo de credores que considerou as condições inadequadas, segundo reportagem do site Seu Dinheiro.
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A nova estrutura acionária da companhia é um fator relevante nas negociações. Em junho de 2026, a gestora IG4 Capital e a Petrobras tornaram-se co-controladoras da Braskem, concluindo acordo assinado em abril. O fundo Shine, gerido pela IG4, detém 50,1% das ações com direito a voto, enquanto a Petrobras possui 47% do capital votante. A Novonor, antiga controladora, manteve 4% das ações sem direito a voto, conforme reportagem da CNN Brasil.
Após a concessão da tutela cautelar, as agências de classificação de risco rebaixaram a nota de crédito da Braskem: a Fitch Ratings reduziu o rating para 'C' (de 'CC') e a S&P Global Ratings rebaixou para 'D' (de 'CCC-'), classificando-a como equivalente a um default, em 26 de junho de 2026, conforme reportagem da Infomoney.
A resposta agora divulgada confirma que, embora as negociações permaneçam em curso, não houve avanço decisivo e a companhia não descarta explicitamente a via judicial — mas também não a indica como iminente, mantendo a narrativa de busca por solução consensual enquanto o prazo da tutela cautelar se aproxima do fim.
Fonte oficial: Comissão de Valores Mobiliários · Consultar publicação original